segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

12 Homens e Uma Sentença

Gênero: Drama/Policial
Direção: William Friedkin
Ano: 1997

Na última semana entrei em uma onda eufórica com o lançamento na internet dos trailers de filmes com potencial épico e que serão lançados em 2012. Temos desde o encerramento da trilogia do Morcegão comandada pelo Chris Nolan (The Dark Knight Rises) até a primeira parte da adaptação de mais uma das excelentes obras de Tolkien (O Hobbit). Particularmente o ano que está próximo do fim não me empolgou muito com relação ao mundo cinematográfico, de modo que minha única esperança foi depositar minhas fichas no que o próximo ano tem para oferecer. Entretanto, de modo despretensioso, zapeando pelos canais, encontrei no Telecine Cult o que posso considerar, sem medo de falso testemunho, como o melhor filme sobre um julgamento que já tive o prazer de assistir, figurando fácil na lista de favoritos de todas as épocas! É um lançamento de 2011? De modo algum, mas fez o enorme favor de encerrar o ano com uma obra de tamanha magnitude, que me fez renovar a crença no poder que o cinema tem de transmitir uma mensagem através de um modo tão claro e intenso.

Doze homens são convocados para compor um juri e são confinados em uma sala para chegarem a um veredito, que deve ser unânime,sobre o julgamento de um rapaz acusado de assassinar seu próprio pai . Onze estão convictos de que o jovem é indubitavelmente culpado, porém um deles sucita no grupo a necessidade de um olhar mais apurado da situação devido à importância do ato, desencadeando uma verdadeira cascata de reações, das mais comuns até as realmente inesperadas.
Assim começa o filme, que se vale basicamente de um cenário pra nos mostrar como o ser humano se comporta diante da responsabilidade de ter uma vida nas próprias mãos. Enquanto alguns reagem com descaso, existem também aqueles que enxergam tudo sob uma perspectiva mais ampla, fazendo com que onze contra um não seja uma situação tão desfavorável quanto aparenta.
Doze personagens nos dão a possibilidade de analisar os mais diversos perfis de pessoas, seja o trabalhador comum norte-americano, o publicitário volúvel ou o cara que só quer mesmo sair dali pra assistir um jogo de beisebol.
 O homem que inicia o debate, interpretado brilhantemente pelo ator Jack Lemmon, apenas iniciou o processo de reflexão levando em conta a ideia básica de que ninguém é culpado, até que se prove o contrário, não o inverso disso. Cada personagem carrega consigo uma bagagem emocional, fruto do ambiente em que foi criado, de crises familiares ou ideologias políticas, que refletem incidentalmente sobre suas opiniões expressadas na mesa de reunião.
A síntese do filme é voltada pra importância de desenvolver o pensamento crítico diante de todos os fatos que nos rodeiam. Me permito aqui parafrasear um personagem de A Origem (2010), quando este diz que "uma ideia é como um vírus. Resistente e altamente contagioso. A menor semente de uma ideia pode crescer para definir ou destruir você". Uma coisa interessante dos filmes é que alguns, embora aparentemente bem distintos, possuem ideias complementares, por isso amo o cinema. É exatamente isso, uma ideia, devaneio, delírio, por mais breve que seja, pode acabar em resultados significativos.
Não tenho medo de errar aqui, 12 Homens e Uma Sentença é um filme obrigatório pra todas as mentes que prezam pela importância da análise e do desenvolvimento do pensamento crítico e racional. Sem mais, meretíssimo.

P.S.: Aos que se interessarem, como foi o meu caso, a produção é um remake de uma obra de mesmo nome lançada em 1957. Pretendo conferir esta logo.
P.S.2: Ganhei um, mas no dia seguinte ele  "misteriosamente" ficou sem funcionar. O que vem fácil vai fácil.
P.S.3: Um próspero ano novo para todos os leitores do Reviews do Rafa. Esses são os sinceros votos do dono dessa bagunça que eu chamo de blog.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Que dia feliz! (Que filme ruim!)

Sabe aquele filme simplesmente genial, que faz você se apaixonar por cinema e que você quer rever inúmeras vezes na sua vida? Pois então, neste blog, você nunca me verá falando sobre esse tipo de filme, pois a minha função aqui é escrever sobre os ruins. Sobre os muito ruins. Sobre os filmes que você recomendaria à babá que te maltratava na sua infância.
O interessante dessa coluna é que quanto mais filmes ruins eu assisto, menos eles parecem ruins o suficiente para merecerem a tag “Filmes para não se ver”. Existe uma lista enorme de filmes nacionais sobre os quais eu gostaria de escrever, mas acabei criando um gosto por descobrir filmes estrangeiros tão ruins quanto. Foi assim que encontrei a comédia italiana “Que dia feliz!” (Che bella giornata!).
Parecemos engraçados? Não somos.
 O que você espera de uma comédia italiana? O mais engraçado sobre os italianos é que eles falam alto e gesticulando, embora essa seja uma caricatura que não foi criada por eles, e você não espera que eles utilizem dessa caricatura num filme nacional. Seria como um filme brasileiro que retratasse um Brasil caricato. Espera, isso existe!
“Que dia feliz!” segue exatamente nessa linha. Pra começo de conversa, o foco principal da história é a religião. Uma bela jovem árabe quer cometer um atentado terrorista contra um dos principais ícones do Catolicismo na Itália, que fica sob a guarda de Checco, nosso protagonista. Ótimo, agora alguém me responda: de que cabeça saiu a idéia de fazer uma comédia a partir de um atentado terrorista motivado por questões religiosas?
Qualquer coisa pode virar piada, bem sei dessa verdade. Mas existem temáticas que são um pouco complicadas, e precisam de alguém realmente bom para que fiquem, de fato, engraçadas. Obviamente, “Que dia feliz!” não conseguiu isso. E, gente!, um atentado religioso na Itália! Esse é um risco real que os italianos correm, mais real do que para outras nações. Se eu morasse na Itália e assistisse a esse filme, passaria a rezar cada vez mais em casa. (Ok, piada péssima, próximo parágrafo.)
O elenco é razoável, mas todos os personagens são um saco, exceto o tio do Checco, que é um personagem intencionalmente chato, e por isso é o único cativante – e ele aparece pouco, poderia ter salvado o filme. A trilha sonora é realmente péssima. Tentaram colocar uma música cantada por Checco, com uma letra que deveria ser engraçada, mas que me fez sentir vergonha alheia pelo EPIC FAIL. A terrorista (preciso contar que ela tenta seduzir Checco, mas acaba se encantando por ele e desiste de cometer o atentado? O único diferencial é que eles não ficam juntos, pois ela volta à terra natal) parece uma songa-monga – e não me refiro a aspectos físicos. Como o parênteses anterior evidenciou, a história é previsível o suficiente para que você, leitor(a), não pense: “ah, mas a história deve ser interessante, vou assistir!”.
Eu sei que você fica curioso(a) para assistir os filmes dessa seção. Às vezes podem ter filmes que são tão ruins que valem a pena que a gente assista, nem que seja para rir do ridículo ou pensar “se conseguiram produzir essa porcaria, eu também posso fazer um filme!”. Tudo bem, eu entendo. Mas esse não, por favor. Esse não!
*Sim, esse filme foi recorde de bilheteria na Itália. Continuo achando um dos piores que já vi na vida mesmo assim.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Conta comigo

Gênero: Aventura/Drama
Direção: Rob Reiner
Ano: 1986

Faço parte de uma corrente ideológica defensora da idéia de que muita coisa pode ser explicada através dos filmes. Por exemplo, as produções lançadas em um determinado período histórico refletem a realidade vivida pela população daquela época. Seus conflitos, suas angústias e o modo como a vida é enxergada, tudo isso pode ser retratado nas lentes de uma câmera. Também acredito parcialmente que os filmes preferidos de uma pessoa te dizem muito sobre ela. Algumas obras conseguem reunir as duas coisas: marcar uma década e imprimir o seu conteúdo na formação da mentalidade dos seus espectadores, daí surge a famosa expressão "filmes que formaram meu caráter". Sou fruto dos clássicos da Sessão da Tarde, da overdose de produções natalinas em dezembro e dos filmes escritos por John Hughes (Curtindo a Vida Adoidado, Esqueceram de Mim, Milagre na Rua 34) que, além de propiciar diversão, assistem no processo de modelamento da personalidade humana.
Onde eu quero chegar? Vamos lá. Apesar de não fazer parte da minha realidade na infância, Conta Comigo certamente se enquadra nessa categoria de filmes que marcaram a existência de muita gente. Lançado em 86 com o título original "Stand by me", o roteiro é adaptado de uma obra do escritor Stephen King, que apesar de ser famoso como o mestre do suspense, presenteou a humanidade com pérolas voltadas ao drama como Um Sonho de Liberdade (1994) e À Espera de Um Milagre (2000).
Acompanhamos a história de 4 garotos: Gordie, Chris, Teddy e Vern. A trama se passa em 1959, quando um dos garotos descobre acidentalmente onde está o corpo de um menino desaparecido há três dias e cuja busca mobilizou toda a comunidade da pequena cidade. Pela sensação de aventura, oportunidade de ganhar 15 minutos de fama ou outro objetivo qualquer, os amigos decidem partir em uma jornada para encontrar o corpo do tal desaparecido e ganhar os créditos pela conquista perante à sociedade.

Entretanto, mais do que uma simples viagem, a trajetória dos 4 garotos é uma verdadeira análise do comportamento humano, da relação entre a índole e o meio em que se vive e o modo como a infância exerce influência direta sobre o caminho tomado por cada indivíduo na vida adulta, sendo a viagem literal, de certo modo, uma metáfora da jornada de crescimento pessoal. Gordie é ignorado pelos pais depois da trágica morte do seu irmão mais velho, o qual recebia toda a atenção da família. Chris é um garoto inteligente, mas sofre por viver em um ambiente familiar conturbado e por receber o estereótipo de alguém sem futuro promissor. Teddy é mentalmente instável e Vern se mostra como o mais infantil dos quatro.
A debatida discussão das teorias possibilista X determinista é colocada em foco e vemos até que ponto cada um é responsável por seu destino. O amadurecimento é um processo individual e cada qual reage de um modo diante das mesmas circunstâncias. Porém, mais do que tudo, é um filme sobre amizade.Amizade genuína mesma, daquele tipo vista apenas na infância e que nós vamos fragmentando aos poucos no processo de envelhecimento.
 A produção termina ao som de Standy By Me e você se sente satisfeito por ter visto uma obra tão profunda, tocante e que, certamente deixará ao menos alguma boa lição na sua vida. Não vivi a década de 80, mas sei que os habitantes dessa longínqua era estavam bem servidos de excelente material cinematográfico.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Fala galera!
Depois de quase um mês de divulgação, chega ao fim o primeiro concurso realizado no Reviews do Rafa. Antes dos resultados gostaria de  fazer algumas pequenas considerações. O número de participações foi relativamente mediano, entretanto fiquei bem satisfeito com a qualidade das respostas. Uma explicação racional pra o que aconteceu é o fato das pessoas ficarem realmente confusas quando se tem que escolher apenas UM filme. Muitos alegaram que não conseguiam escolher apenas uma história em meio de tantas existentes, enquanto outras aparentemente confundiram o termo "inesquecível" com "predileto". Um filme não precisa ser o seu favorito pra fazer parte de um momento marcante de sua vida, muitas produções fracas e até péssimas são responsável por momentos marcantes, sejam de um modo engraçado ou dramático.
Com relação à escolha dos vencedores, no intuito de evitar problemas, como acusações sem nexo, deixei o resultado na mão dos outros jurados (Dayane Abreu e Márcio Melo, dono do Porra Man!) e, incrivelmente, as opiniões de ambos foram bem parecidas, o que foi algo ótimo pra ocasião. Não alcançamos 100 pessoas na fan page, logo o prêmio bônus não entrou na jogada. Porém, um comentário em especial me agradou muito, então substitui um prêmio por outro que, particularmente, considerei bem melhor. Vamos ao que interessa:

1º lugar - Solon Ramos
2º lugar - Elisabeth Zorgetz
 Prêmio Bônus - Ana Luísa Mendes
A Ana Luísa vai receber a trilogia dos livros O Senhor dos Anéis. Há algum tempo comprei esses livros junto com outros dois, mas apesar de ser uma obra-prima do Tolkien só comprei pelo interesse nos outros dois exemplares da coleção (O Hobbit e O Silmarillion). Enfim, a trilogia está novinha, com plástico e tudo, espero que ela goste.

That's all folks! Obrigado pelas participações e até a próxima ;)

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Qual queijo você quer ?!



Calma galerë! Não é "Quem mexeu no meu queijo"?! É "Qual queijo você quer"?! Embora eu não tenha lido/assistido "Quem mexeu no meu queijo"?! Posso dizer que o Seu Afonso (personagem da trama da qual comento aqui) já errou muito em pedir o queijo, piorou mexer no queijo. Piadinhas idiotas a parte...

"Qual queijo você quer"?! É um curta-metragem de ficção de Cíntia Domit Bittar. No decorrer dos 12 minutos deste curta, obtive boas surpresas. Agradou-me muito o fato de um tema simples ter sido tão interessante. Tudo começa quando Afonso (Henrique César) sugere à sua esposa Margarete (Amélia Bittencourt), que está de saída, para aproveitar nas compras e trazer um queijo. Num repente sua amada sofre um ataque de nervos pelo simples fato deste pedido.
Em um diálogo em que ele pouco fala e ela muito esbraveja, percebesse a indignação, as razões acumuladas, os planos e sonhos que nunca se realizaram. Cobranças das quais, Margarete se queixa copiosamente. Ao final de tudo, a sensação que fica é: O que será do meu futuro?! Dos meus planos?! Seja estes tão ambiciosos ou não, com um parceiro ou não, por culpa de uma relação ou não (para aqueles que fogem mais do que o diabo da cruz).
No fim, fim de tudo mesmo, o curta é bem tragicômico (não sei se meu humor interfere nessa avaliação). Pra mim, o pobre do Seu Afonso, quase mudo, só queria ter seu queijo!
Enfim, o roteiro é bem construído, o título é inicialmente curioso, a direção de atores bonita de se ver. As cores envelhecidas dos tons de amarelo em um cenário constituído pelo apartamento pequeno com móveis antigos, muitos apetrechos e simplicidade configuram uma vida de acúmulo e poucas perspectivas. Tudo isto faz deste curta uma obra simples, mas interessante.