A mitologia é realmente uma área fascinante. Eu sou um admirador assumido da capacidade do ser humano de criar lendas e mitos tão incríveis com o intuito de explicar fenômenos naturais ou expor situações da índole humana. Particularmente sou muito fã da mitologia nórdica, porém a greco-romana é, sem dúvidas, a que foi melhor elaborada. Seus heróis, deuses, criaturas mágicas são tão bem estruturados que fazem meus olhos brilharem.Assim como a maioria, gosto bastante das histórias de grandes personalidades como
Jasão e os Argonautas, Teseu (responsável pela morte do minotauro),
Héracles (ou Hércules, como queira) e seus doze trabalhos,
Belerofonte montado em seu cavalo alado, além de
Perseu, o meu preferido. Por que Perseu? Ele foi responsável por grandes proezas, como a decapitação da medusa e o resgate de Andrômeda de um sacrifício cruel, sendo que ela veio a se tornar sua futura esposa.Temos também o titã
Cronos, pai de
Zeus, simbolizando o
Tempo, que a tudo devora, além da linda história de amor entre
Orfeu e Eurídice. Mas não são os heróis os personagens mais admiráveis da mitologia, ao menos não pra mim, e sim dois seres bem interessantes.O primeiro é
Prometeu e o segundo é
Sísifo. Prometeu é bem conhecido da grande maioria. Após roubar o fogo dos deuses e entregá-lo aos humanos, foi condenado a ficar preso ao monte Cáucaso e ter seu fígado devorado diariamente por uma ave, sendo que após isso seu fígado se regenerava. Mas por que Prometeu?
Ele é o símbolo da resistência contra o autoritarismo, o castigo imerecido, além de ser o benfeitor da humanidade, apesar de seu status de titã.Mas e Sísifo?Esse sim é um mito fantástico e aberto pra várias interpretações.
Sísifo era um humano considerado o mais esperto da sua época. O que confirma isso? Bem, basta dizer que o cara foi capaz de enganar a própria
Morte (
Tânatos), aprisionando-a por um tempo. E como se já não fosse o suficiente, quando a Morte se libertou e procurou por vingança, ele tramou uma estratégia bem interessante e enganou novamente o Mundo dos Mortos.
Enganar a morte, um desejo eterno dos humanos. É, mas um dia a casa caiu e Sísifo teve que fazer sua parada final no andar de baixo. Como recompensa pela bagunça que ele havia aprontado, foi castigado com uma pena terrível que o deixaria sem tempo para elaborar outra fuga: Ele deveria empurrar uma enorme pedra ladeira acima e logo depois essa pedra deveria rolar o monte abaixo e Sísifo recomeçaria o seu trabalho. Eternamente empurrando a pedra.E é aqui, meus caros leitores, que reside a graça, por assim dizer, deste mito. Sísifo pode representar inúmeras coisas, como o homem moderno em seu trabalho autômato e enfadonho, a resignação diante da rotina absurda ou então a esperança humana de que um dia as coisas mudem. Se Sísifo tinha a esperança de que um dia seu castigo acabasse ou se estava resignado, não sei dizer ao certo, mas prefiro acreditar que ele era um cara que não se deixava vencer pela imposição do destino, deuses, pelo cansaço e trabalho enfadonho, e levava sua vida contra todos os problemas, provando que ele estava ali e não desistiria mesmo que aquilo fosse inútil e ridículo.

Enfim, a história de Sísifo é admirável.
Se você também é fã de mitologia eu recomendo o ÓTIMO
blog da Solange Firmino, onde ela contextualiza bem os mitos com a nossa realidade.Recomendo também o
Livro de Ouro da Mitologia, de Thomas Bulfinch (comprei pelo Submarino e chegou beleza!). Para saber mais sobre a história de Sísifo e Tânatos,
leiam esse texto.
Mas vamos então ao filme em questão,
Percy Jackson e o Ladrão de Raios.