quarta-feira, 22 de junho de 2011

Editora: Record
Autor: Bernard Cornwell
Ano: 2006
Páginas: 362
 - O destino é tudo. Disse o skald Ravn.
Há poucos anos, após a constatação de que minha carreira como leitor era curta e vergonhosa, decidi mudar o panorama da situação. Desde então já passaram pelas minhas mãos obras fantásticas como As Crônicas de Nárnia (C. S. Lewis), O Silmarillion e O Hobbit (ambos do mestre Tolkien), os cinco volumes da saga Percy Jackson, que por sinal, são fenomenais (Rick Riordan), entre outras.
Isso de algum modo me qualifica pra fazer a análise de um livro por aqui? Provavelmente não, mas não poderia deixar de lado a oportunidade de indicar uma série tão legal como essa que eu comecei há pouco tempo. Trata-se do primeiro volume das Crônicas Saxônicas, intitulado O último reino, e escrito pelo britânico Bernard Cornwell, famoso autor de outras obras como a trilogia As crônicas de Artur.
Adquiri o livro através do Submarino, minha fonte preferencial na compra de livros pela internet. Logo de cara tenho a obrigação de elogiar o excelente trabalho gráfico realizado pelo Kako, o ilustrador responsável pela capa do livro. Ela é simplesmente linda e o título em alto relevo deu um charme especial para a obra. A qualidade do material também é ótima e consta com uma nota de tradução e um mapa para ajudar o leitor a situar-se no território onde a trama é desenvolvida (acredito que foi o mapa de livro que eu melhor compreendi, já que em O Silimarillion o autor me deixou mais confuso do que orientado. Okay, é Tolkien, não dá pra criticar o seu detalhismo exacerbado, isso é característico dele).


O nosso protagonista é Uhtred, uma criança pertencente à aristocracia da Nortúmbria, um reino anglo cujo território atual pertence a Grã-Bretranha. A história começa em 866 d. C, com a chegada dos dinamarqueses ao território anglo-saxão. Nessa época Uhtred tinha nove anos e ainda atendia pelo nome de Osbert (a mudança de nome é explicada logo no prólogo do livro). Uma série de eventos faz com que o  nosso jovem protagonista seja capturado pelos invasores dando início à uma infância embrenhada nos povos pagãos e regada a muita violência, liberdade e aventuras, em contraste com a criação cristã encontrada na sua antiga residência, na qual era incentivado ao aprendizado da leitura e dos costumes religiosos. Resumindo, tudo que uma criança deseja. Mas o destino é tudo, já dizia Ravn. A vida de Uhtred, desde este momento, está fortemente atrelada a de Alfredo, um nobre do reino de Wessex, localizada ao sul da Nortúmbria.E nessa maré envolvente acompanhamos o amadurecimento de uma pessoa marcada pela dualidade durante toda a sua jornada. Cristão ou pagão. Inglês ou dinamarquês.Não há uma resposta bem definida.

Uma coisa bastante legal na literatura do Bernard Cornwell é o embasamento histórico que ele oferece nos seus livros. Embora Uhtred seja um personagem fictício, uma série de outros personagens realmente existiram e fizeram parte da história inglesa. Por falar nos personagens, tenho que ressaltar a construção impecável da personalidade destes, seja o earl Ragnar, com seu amor pela batalha, o padre Beocca com sua fé inabalável ou o ferreiro Ealdwulf, com o seu apego pelas tradições antigas. Ubba, Ivar, Kjartan, Sven, Brida, por menor que seja a atuação de qualquer indivíduo, ela é permeada por uma bagagem sentimental muito forte.
As intrigas, conspirações políticas, traições, batalhas, todas estão presentes como ingredientes de uma boa história. A ação é frenética, as paredes de escudo são intensas e a vida humana é medida na ponta da espada ou na lâmina de um machado. As Crônicas Saxônicas são bem representadas por uma parte escrita no fundo do livro e que consta também nas suas primeiras páginas:

"Sou Uthred, filho de Uhtred, e esta é a história de uma rixa de sangue. É a história de como tomarei de meu inimigo o que a lei diz que é meu. E é a história de uma mulher e de seu pai, um rei."

Escrever mais do que isso é correr o risco de revelar detalhes importantes, e eu não estou disposto a isso. Só me resta recomendar sinceramente uma das melhores leituras que fiz nos últimos tempos. E lembre-se:
O destino é tudo!

Desconhecido

Gênero: Suspense/Thriller
Direção: Jaume Collet-Serra
Ano: 2011


Fim de semestre, ufa! E o que, especificamente, isso significa? Simplesmente que os textos voltarão a ter uma frequência mais decente do que a atual.
Deixando todas as explicações inúteis de lado, vou tentar desenferrujar minhas engrenagens e começar o trabalho de verdade. Ah, já adianto que em breve falarei também de alguns livros que tive a oportunidade de ler nesses últimos meses e que merecem uma indicação certa! (Crônicas Saxônicas, estou falando de você, viu? =D)


Liam Neeson é um ótimo ator, essa ideia poucas pessoas ousam contrariar. Seja dando vida ao leão Aslam nas Crônicas de Nárnia, ou mesmo nos emocionando no tocante A Lista de Schindler, não há como negar o seu talento. Entretanto, recentemente o que vem chamando atenção é o seu papel de destaque em filmes de ação, como o ótimo Busca Implacável (2008) e o divertido Esquadrão Classe A (embora não tenha terminado este ainda, pretendo fazer isso em breve).
Com esse espírito empolgado fui conferir um dos seus trabalhos mais recentes, Desconhecido, com direção do não tão conhecido (desculpem, não resisti ao trocadilho) Jaume Collet-Serra. O plot central não é difícil de entender. O dr. Martin Harris (Neeson) vai a Berlim para um evento científico na companhia de sua mulher, a bela Elizabeth (January Jones). Entretanto, após um estranho acidente, o dr. Harris acorda no hospital, sem lembrar muito bem o que aconteceu e, pra piorar a situação, outra pessoa assume sua identidade e sua própria esposa nega que ele seja quem diz ser. Preso nesse turbilhão de problemas, Martin precisa correr contra o tempo para provar que fala a verdade, enquanto tenta entender o que há por trás de toda essa trama.

Filmes envolvendo problemas de memória não são tão raros. Temos o excelente Amnésia, o cultuado Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças e a famosa trilogia Bourne, que revolucionou o gênero de ação no cinema, influenciando até a tradicional série de filmes do 007.

Mas então o que Desconhecido tem de diferente, algo que o faça digno do precioso tempo de quem o assiste? Sinceramente, não muito. Os personagens não cativam tanto, o roteiro peca em uma série de explicações e o final deixa uma sensação de vazio, do tipo que você esquece do que viu após 5 minutos ou coisa do gênero. Em suma, uma decepção, o que comprova o papel, em algumas vezes, desastroso da alta expectativa antes de conferir um filme. Ainda contamos com a presença da ótima atriz alemã Diane Kruger, mas isso não é o suficiente para tansformar a produção em um suspense intrigante.

Após tudo que falei espero que este continue um filme desconhecido para sua coleção! ;D