Gênero:Drama/Suspense/Thriller
Direção: Damián Szifron
Ano: 2014
Eu poderia começar esse pequeno texto falando da rivalidade infinita entre brasileiros e argentinos e de como em dados momentos temos que dar o braço a torcer e reconhecer o talento no outro, nesse caso, no argentino egocêntrico e selvagem, catimbeiro e extremamente chato.
Outro meio de introduzir a temática seria falar da importância de se dar valor e oportunidades ao cinema latino-americano, que possui belos exemplos de produções que pensam fora da caixa, como é o caso do descontraído e fofo - por que não? - Medianeiras (2011) e o envolvente O Segredo dos Seus Olhos (2009).
Mas não meus caros e seletos leitores, Relatos Selvagens deve ser anunciado e pode ser descrito, de forma empolgada, admito, como o filme que te faz pensar simultaneamente "ele não vai fazer isso" e "será que eu faria algo do tipo?" terminando com sonoros "o que é isso, minha gente?!".
A produção dirigida por Damián Szifron narra seis histórias independentes que mostram como o ser humano pode se comportar em situações de extremo estresse, sendo de forma aguda ou como o estopim de situações corriqueiras. Passando por cenários como um cantina, um avião em voo, uma rodovia ou uma festa de casamento, os personagens passam uma verossimilhança com a realidade cotidiana de modo que você se pega lembrando de ter passado por algo parecido - mesmo que em proporções menores, na maioria das vezes.
A obra é competente em envolver o telespectador e a transição das histórias é rápida, não te deixando muito tempo pra pensar, apenas te conduzindo a desfechos surpreendentes - em alguns casos sim, em outros nem tanto. O final da última história te deixa com a mão no queixo e um riso nervoso, esse sim, vai perdurar por alguns bons minutos. Por uma questão de gosto pessoal, faço ressalva para a história do motorista na rodovia e da cerimônia festiva, que farão suas glândulas supra-renais secretarem adrenalina em um ritmo alucinante.
Nessa mesma semana assisti 5 filmes, incluindo o insosso Jogos Vorazes, A Esperança - Parte 1. Relatos Selvagens foi o único que se salvou - e com louvor.
Recomendo.
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quarta-feira, 3 de junho de 2015
segunda-feira, 13 de janeiro de 2014
Heavy Rain
Postado por
Rafa Cruz
às
05:52
Título: Heavy Rain
Direção: David Cage
Plataforma: Playstation 3
Avaliação: 5/5
Sim, há muito tempo eu não sei o que é escrever aqui. Entre o trabalho e a seleção do mestrado, na qual fui aprovado, pouco tempo me restou pra tornar esse espaço novamente ativo, embora eu suspeite que isso são apenas desculpas que eu me dou para convencimento próprio de que minha falta de inspiração era justificada. Dito isso, vou ao que interessa, ao objeto de minha análise, aquilo que me fez, de fato, tomar vergonha na cara e escrever essas palavras: Heavy Rain.
Creio que poucos foram os momentos nos quais eu me abstive de comentar um filme para falar de uma mídia alternativa, mas essa obra merece a admiração de todos aqueles fãs do cinema, por se tratar de um verdadeiro "filme interativo" levando a experiência de imersão à níveis antes nunca desbravados.
Heavy Rain (HR) é um jogo desenvolvido para a plataforma do Playstation 3 pela Quantic Dream, empresa responsável também por Indigo Prophecy e o recente Beyond: Two Souls. Dirigido pelo David Cage, criador da Quantic Dream, HR se propõe a colocar o jogador no papel de quatro personagens distintos que de algum modo estão conectados pelos recentes crimes cometidos por um serial killer conhecido apenas como Origami Killer, que se vale sempre do mesmo modus operandi nas suas ações: as vítimas são afogadas pela água da chuva. Particularmente prefiro não entrar em detalhes sobre os personagens, é preferível que você os conheço no decorrer do jogo. O interessante é notar como cada um é afetado por seus demônios particulares e em como isso influencia as suas ações durante a trama.
Aliado a uma narrativa extremamente envolvente e um gráfico pautado no sistema de captura de imagem, o grande trunfo do jogo é sua mecânica. Baseado em sequências rápidas de comandos, nos quais um pequeno deslize pode ser fatal, Heavy Rain faz com que você adentre em um mundo no qual erros não são tolerados. Ao contrário dos outros títulos, nos quais uma morte é seguida de um reinício a partir de um checkpoint, a obra do David Cage é marcada por continuar sempre em frente, independente do que aconteça. Um personagem crucial foi assassinado por conta de uma má decisão ou de um atraso nos quick events? Muito bem, bola pra frente! Isso dá margem para uma quantidade significativa de diferentes finais, que vão dos mais "felizes"até àqueles pouco tradicionais.
A trilha sonora é um capítulo a parte. As melodias se casam perfeitamente com as cenas, sejam de tensão emocional ou apreensão por um risco iminente, as músicas são responsáveis pela criação do ambiente e funcionam como uma engrenagem fundamental no bom andamento da história. Além do mais, eu sou extremamente suspeito pra falar de trilha sonora, sou um apaixonado por elas.
Heavy Rain é aquele jogo que funciona perfeitamente naqueles dias chuvosos, com as cortinas entreabertas e a sala escura. É daqueles que você joga com os amigos e tanto quem tem o controle na mão quanto aqueles que apenas assistem compartilham do mesmo sentimento. É claro que nem tudo é perfeito e alguns furos no roteiro em algum momento começam a incomodar, somado à falta de refinamento gráfico de alguns objetos em determinado momentos, mas nada que atrapalhe a experiência de se jogar um mundo totalmente paralelo no qual a adrenalina sempre está em níveis elevados. Recomendo muito pra todos aqueles que possuem um playstation 3, é uma aquisição indispensável para todos os sonystas de plantão.
domingo, 6 de janeiro de 2013
Ruby Sparks - A Namorada Perfeita
Postado por
Rafa Cruz
às
05:54
Gênero: Romance/Drama
Direção: Jonathan Dayton, Valerie Faris
Ano: 2012
Direção: Jonathan Dayton, Valerie Faris
Ano: 2012
Ruby Sparks me fez voltar a escrever.
Embora simples e curta, trata-se de uma frase emblemática, já que o filme se inicia com um escritor em crise de criatividade que encontra em sua nova personagem tudo aquilo que buscava pra dar uma guinada na vida. A produção é uma agradável surpresa cinematográfica, diante das minhas últimas e fracassadas tentativas de assistir algo digno de atenção.
Calvin (Paul Dano) é um jovem prodígio literário que após fazer enorme sucesso com um livro enfrenta um bloqueio de escrita que o impede de seguir adiante. Porém sua rotina solitária muda completamente quando, depois de escrever em sua máquina de datilografar sobre uma intrigante e atrativa personagem, ela simplesmente ganha vida e aparece na sua casa: essa é Ruby Sparks (Zoe Kazan).
Ela existe? Caso ela exista, como isso é possível?- Sim, você vai se perguntar isso, mas creio não ser esse o elemento chave da história, não se preocupe tanto com tal questão. É um filme sobre a solidão, o modo como enfrentamos os problemas e a necessidade de adequação mediante os relacionamentos interpessoais.
domingo, 23 de setembro de 2012
1984 - Livro
Postado por
Rafa Cruz
às
06:17
Autor: George Orwell
Ano de publicação: 1949
Gênero: Drama, Ficção Política
Classificação: 5/5 Excelente
Sim caros leitores, o texto de hoje se propõe a dialogar sobre um livro. Longe de ser apenas mais uma obra de efeito passageiro, 1984 se constitui em um leitura indispensável para todos aqueles que desejam compreender melhor o devastador efeito de uma ideia, do modo como o mundo existente apenas em nossas mentes se constitui em um fértil território disputado pela elite governante.
A literatura política elaborada pelo senhor George Orwell (1903-1950) transcende o patamar de crítica social, alcançando o posto de obra de arte, tecida de forma maestral por esse homem que soube enxergar tão bem os mecanismos que regem o sistema, o perigo de uma economia altamente centralizadora e o poderio capcioso da informação.
Enfim, se quiserem encontrar um link entre o livro e o cinema, posso dizer que algumas adaptações foram feitas no âmbito cinematográfico (embora ainda não tenha assistido nenhuma, nem ao menos tenho certeza se de fato o quero), também cito a adaptação da HQ V de Vingança para as telonas em 2006, produção claramente influenciada pelo que foi proposto em 1984.
1984 se passa em uma supernação ficcional chamada Oceania. Após a Revolução, o governo atual foi derrubado e no seu lugar instaurou-se uma política centralizadora, a sociedade se dividiu em três estratos (Partido Interno, Partido Externo e Prole), tendo como eixo principal um líder conhecido como Grande Irmão, que governa o território pautado em três princípios vitais:
"Guerra é PazLiberdade é EscravidãoIgnorância é Força."
A privacidade é algo inexistente, todos os movimentos dos cidadãos são monitorados e seus desejos humanos mais íntimos são suprimidos em prol do bem da nação. As pessoas são levadas a uma admiração cega pelo partido, atuando de forma autômata, como robôs que devem obediência ao governo e fazem o preciso para o mante-lo, independente da veracidade dos seus métodos. Afinal, o que é a verdade?
Quem controla o passado, controla o futuro; quem controla o presente, controla o passado
O protagonista da trama é Winston, um funcionário comum do Partido Externo, nível médio da sociedade, que começa a repensar o seu papel no mundo e a questionar a mecânica do sistema, algo extremamente perigoso quando se vive em um lugar onde pensamentos considerados subversivos são extremamente perigosos para os que o detém. A vida de Winston muda por completo ao conhecer Julia, uma jovem que vai alterar pra sempre a sua vida.
1984 retrata uma realidade assustadoramente perigosa, mas simultaneamente possível. Em um mundo onde cada vez mais nossos passos são vigiados, nossa liberdade individual cerceada e o acesso à informação é controlado por uma mídia manipuladora e cruel, não fica difícil imaginar o que é retratado nas linhas escritas por Orwell, o que por sinal já aconteceu (e ainda acontece) parcialmente em algumas nações, lembremos dos regimes nazista e fascista, que assolaram a humanidade no século XX.
O que de fato cativa em Winston talvez eu não saiba expressar com clareza. Pode ser o seu desejo por romper com as regras estabelecidas, de voltar ao estado natural do homem, sua ânsia por liberdade. O que eu posso dizer é que quando, por algum motivo, você para de ler 1984 para retomar mais tarde, tem-se a impressão de que Winston continuou lá, congelado, esperando sua volta para que suas ações se desenrolem e culminem em um futuro possivelmente previsto, mas igualmente fascinante.
A crítica explícita aos governos totalitários está lá, o modo como o controle da informação garante a obediência sem ressalvas de legionários entusiasmados, que odeiam a oposição seja ela qual for, também se retrata, e certamente tudo isso é importante. Porém, no fim das contas, o leitor se apega mesmo às emoções sentidas pelo protagonista. Você se emociona, se empolga, reflete, transpõe para a sua realidade, sente a dor, o amor, tudo o que a árdua jornada de Winston em busca da verdade é capaz de proporcionar. As últimas páginas angustiam, vão no fundo da sua alma, te envolvem a fundo e você chega ao final grato ao escritor por ter criado um livro tão ímpar.
Indicado para todos aqueles que apreciam uma ficção de qualidade, daquelas que irão figurar no seu top dos melhores livros, 1984 é indispensável para as prateleiras de qualquer amante da literatura que queira refletir sobre o mundo em que vive. Recomendo.
p.s.: Alguns termos cunhados no livro ainda sobrevivem, é o caso do Big Brother (embora nos reallitys da vida tenha se diluído a algo fútil) e os termos em novilíngua, como duplipensar e crimideia.
terça-feira, 21 de agosto de 2012
Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge (e o Reviews do Rafa igualmente!)
Postado por
Rafa Cruz
às
13:09
Gênero: Ação/Thriller/Drama
Direção: Cristopher Nolan
Ano: 2012
Direção: Cristopher Nolan
Ano: 2012
8 anos se passaram desde o incidente envolvendo o Coringa (Heath Ledger) e Gothan City vive então um momento de relativa paz, fruto do exemplo moldado na mentira sobre Harvey Dent (Aaron Eckhart), o exibindo como um mártir local que deu origem a uma lei que praticamente "limpou" os delinquentes das ruas. Bruce Wayne (Cristian Bale) aposentou seu auterego mascarado e vive recluso em sua mansão, penalizado pelas consequências das escolhas, quando assumiu o injusto papel de assassino para garantir a paz na cidade. No entanto, um novo mal surge em Gothan simbolizado por Bane (Tom Hardy), um terrorista que conta com uma sofisticada rede de membros e que pretende colocar em prática um sinistro plano na cidade, trazendo assim o Batman de volta ao jogo.
Começo dizendo que o filme não é perfeito. A expectativa gerada pelo seu antecessor era enorme e alguns esperavam por um filme impecável, uma noção irreal. Em determinados momentos temos a impressão de alguns furos na história, mas que em parte vão sendo preenchidos na trama; e aqueles que não ficam explícitos...bem, o diretor deixou aberto às interpretações pessoais (coisa que ele gosta mesmo de fazer, como podemos conferir em Amnésia). Na verdade, quando termina percebemos que todos os momentos foram necessários, de certo modo, para que tudo acontecesse como deveria.
Dado o aviso, vamos para as coisas boas. Gostei bastante das subtramas apresentadas, como a de Seline Kyle, mais conhecida como Mulher Gato, que contou com uma atuação deslumbrante da Anne Hathaway, do policial John Blake (Joseph Gordon-Levitt) também gostei muito. Gary Oldman retorna ao papel do comissário Gordon, me remetendo em alguns momento à representação do personagem na famosa história Batman: Ano Um. O Tom Hardy realmente encarou um super desafio ao viver um vilão pós-Coringa, mas se saiu muito bem. Ei, a Marion Cotilard também está aqui, junto com o Michael Cane (Alfred), fazendo com que boa parte do elenco de A Origem (2010), filme do mesmo diretor, se reúna novamente, achei isso bem legal. Finalizando, Cristian Bale É o Batman, ponto final, ninguém me convence do contrário.
Os cenários são incríveis, as cenas de ação tiram seu fôlego e, embora o BatWing seja mesmo uma atração, ainda prefiro os momentos que envolvem a BatPod. A cidade mudou, mas a decadência impregnada em Gothan ainda continua em seus cidadãos. De algum modo todos os personagens passam por um momento da vida no qual necessitam de um verdadeira virada na vida. Sim, ressurgir. Quando se está no fundo do poço, só o que resta é escalar. Mais do que um filme do Batman, esse é um filme sobre um homem que precisa se refazer das cinzas: Bruce Wayne.
Nos últimos 30 minutos da produção minha respiração ficou mais lenta, meus olhos vidrados na tela e o coração oscilou a ritmos alucinantes. O Cavaleiro das Trevas Ressurge encerrou de forma digna uma história que fez com que os antigos filmes com versões pitorescas sobre o Batman se tornassem obsoletos. Fiquei sim emocionado, só não alcançando níveis maiores de emoção por ser "obrigado" a assistir o filme dublado, já que o cinema do Iguatemi só disponibiliza um horário para a cópia legendada, que além de único é terrivelmente inacessível,. Assistam legendado, deve valer mais a pena. Esse é o tipo de filme que faz valer a pena manter um blog sobre o tema
Digo e repito: em Nolan nós confiamos!
Ah, no dia 09 de agosto o Reviews do Rafa completou, aos trancos e barrancos, 3 anos de existência. Não é fácil manter esse espaço tão atualizado como eu queria, já não tenho mais nem como formular desculpas convincentes, mas faço o que posso pra expressar minha opinião no intuito de, se possível, divertir os leitores. Obrigado a todos vocês!
quarta-feira, 25 de julho de 2012
Moulin Rouge! - Amor em Vermelho
Postado por
Rafa Cruz
às
07:03
Gênero: Musical/Romance/Drama
Direção: Baz Luhrmann
Ano: 2001
Direção: Baz Luhrmann
Ano: 2001
Ah, os musicais! Sempre achei estranha a ideia de que qualquer ação, por mais banal que seja, possa se transformar em uma canção quando se trata desse gênero cinematográfico tão peculiar. Sério! Tipo, o personagem decide passear no parque e, em poucos segundos, já se vê rodeado por trezentas pessoas cantando e dançando feito loucas desvairadas.
Minha experiência com essas produções são bem escassas, porém diversificadas. já assisti Sweeney Todd, um musical de Tim Burton! Enfim, depois de procrastinar por um bom tempo, resolvi que esse era o momento adequado de encarar Moulin Rouge! (2001) e foi uma decisão extremamente acertada. Ao término do filme só o que você consegue fazer é cantarolar as músicas, adquirir a OST¹ e colocar no repeat sem medo de ser feliz.
A história se passa em Paris...ah, Paris! Todo aquele clima boêmio paira no ar, os músicos, poetas, dançarinas, toda aquela aura mítica que só a capital francesa consegue criar no imaginário popular. Cristian (Ewan McGregor) é um escritor recém-chegado à cidade, cheio de sonhos e planos. Lá ele encontra uma trupe de artistas que apresentam um mundo totalmente novo para o rapaz. Porém sua vida muda mesmo quando o destino o coloca em contato com Satine (Nicole Kidman), a maior estrela e mais bela cortesã do cabaré Moulin Rouge, um estabelecimento parisiense famoso por suas belas mulheres, músicas e o clima francês de liberdade que esse povo sabe bem retratar.
Eu poderia falar minuciosamente de cada aspecto presente no filme. Desde a bela fotografia, seu magnífico uso das cores, o figurino e a direção de arte (esses dois últimos renderam os prêmios Oscar), os cenários, a montagem das cenas. Tudo em Moulin Rouge é audaciosamente lindo e delicioso de se ver! Nicole Kidman está deslumbrante em um dos papéis mais marcantes de sua brilhante carreira. Ela canta, dança, atua e emociona, Satine certamente me acompanhará como um das grandes protagonistas do cinema. Ewan McGregor também não decepciona, gosto dos trabalhos dele. A química do casal é muito boa e a intricada história de amor e drama envolve o espectador de um modo profundo (tem cenas em que você não consegue falar nada, só fixa os olhos na tela e espera pra ver no que vai dar).
Moulin Rouge! diverte, toca fundo nas suas emoções, surpreende em uma verdadeira miscelânia de sentidos. Definitivamente um filme que eu deveria ter assistido nos cinemas...embora em 2001 não tenho tanta certeza se entenderia o sentido de toda a coisa (risos).
Caramba, é um musical e eu ainda não falei direito das MÚSICAS! São magníficas referências à cultura pop e rock, com citações que vão de Nirvana (com uma das poucas músicas que conheço deles, Smell Like Teen Spirit) à Madonna (com uma roupagem totalmente inusitada, fui surpreendido com Like a Virgin). Toda a trilha sonora é excelente e eu não me incomodei em nada quando uma cena pedia uma canção. "Your Song", "Nature Boy" e "Elephant Love Medley" são meus destaques pessoais.
De modo definitivo, Moulin Rouge! é um filme indispensável em qualquer lista de melhores produções já feitas. Demorei muito pra conferir, mas agora não deixo de indicar pra qualquer um que me peça uma boa opção de entretenimento em uma trama que te prende, encanta e apaixona de um modo único.
¹OST: Original Soundtrack
sábado, 12 de maio de 2012
Gênero: Drama
Direção: Selton Mello
Ano: 2011
O cinema nacional é visto por boa parte da população como um aglomerado de produções apelativas e sem qualidade. Essa perspectiva é justificada pelo nosso histórico de produções com alto teor puramente pornográfico (pra não dizer sacanagem desenfreada) e filmes atuais totalmente vazios de talento em roteiro e atuações. Isso quer dizer que o cinema norte-americano é o paraíso? Claro que não, eles fazem desastres monumentais! Acontece que o volume de produções e investimentos lá é infinitamente maior, logo as chances de coisas boas também aumenta. Dá pra perceber isso quando se nota no começo de O Palhaço a quantidade absurda de patrocínios necessários pra que ele pudesse ser realizado aqui no Brasil. E nem vou entrar no cinema europeu, pois aí teriamos um outro texto totalmente diferente e demasiadamente grande.
E pra quê tudo isso? De modo simplificado, é apenas uma introdução pra dizer que, com frequência vagarosa, mas existente, o nosso país consegue render boas histórias, como em O Palhaço (2011), escrito, dirigido e atuado pelo já conhecido Selton Mello.
Na história encontramos Benjamim (Selton Mello) e Valdemar (Paulo José), filho e pai, ambos palhaços que gerenciam um circo itinerante, composto por um trupe peculiar que conta com tudo que um espetáculo de verdade precisa: de anão à mágico. Lembra quando chegava na sua cidade um carro de som berrando sobre o "incrível circo real espanhol bla-bla-bla" e que, no final das contas, se resumia a uma lona desgastada, palhaços, truques suspeitos e sempre uma nova atração por noite? Pois bem, seria mais ou menos isso. E só pra constar, no meu caso era o "lendário" Circo de Mônica com sua entrada de 50 centavos.
O problema se dá quando Benjamim começa a questionar o sentido de suas escolhas e de seu papel no mundo. "Okay, eu sou um palhaço e divirto as pessoas, mas quem vai me fazer rir?". Junte um enredo singelo, peculiar e bonito com um elenco inspirado, boas referências a grandes nomes da comédia do passado com uma trilha sonora ímpar, que mescla diversos elementos da cultura circense com belas canções de outras décadas e terá um resultado admirável. Sou um verdadeiro entusiasta quando se trata de boas trilhas!
Em cerca de 1:30h somos apresentados a uma história leve, porém paralelamente intensa, comovente e reflexiva sobre qual papel devemos desempenhar nesse palco chamado mundo. Os mais saudosistas irão se deparar com antigas músicas que incluem Nelson Ned e nomes bem conhecidos como Moacyr Franco, Tonico Pereira e Jackson Antunes interpretando alguns personagens ao longo da trajetória da trupe. Os mais atentos também irão reconhecer outras grandes personalidades, porém prefiro não estragar a surpresa. Selton Mello conseguiu orquestrar uma obra dramática, divertida e esperançosa, compensou toda a expectativa depositada introduzindo na película um ventilador com um valor metafórico muito maior do que a sua própria utilidade. É uma história que merece ser vista e revista, sem ressalvas.
O gato bebe leite, o rato come queijo e você, o que faz?
Direção: Selton Mello
Ano: 2011
O cinema nacional é visto por boa parte da população como um aglomerado de produções apelativas e sem qualidade. Essa perspectiva é justificada pelo nosso histórico de produções com alto teor puramente pornográfico (pra não dizer sacanagem desenfreada) e filmes atuais totalmente vazios de talento em roteiro e atuações. Isso quer dizer que o cinema norte-americano é o paraíso? Claro que não, eles fazem desastres monumentais! Acontece que o volume de produções e investimentos lá é infinitamente maior, logo as chances de coisas boas também aumenta. Dá pra perceber isso quando se nota no começo de O Palhaço a quantidade absurda de patrocínios necessários pra que ele pudesse ser realizado aqui no Brasil. E nem vou entrar no cinema europeu, pois aí teriamos um outro texto totalmente diferente e demasiadamente grande.
E pra quê tudo isso? De modo simplificado, é apenas uma introdução pra dizer que, com frequência vagarosa, mas existente, o nosso país consegue render boas histórias, como em O Palhaço (2011), escrito, dirigido e atuado pelo já conhecido Selton Mello.
Na história encontramos Benjamim (Selton Mello) e Valdemar (Paulo José), filho e pai, ambos palhaços que gerenciam um circo itinerante, composto por um trupe peculiar que conta com tudo que um espetáculo de verdade precisa: de anão à mágico. Lembra quando chegava na sua cidade um carro de som berrando sobre o "incrível circo real espanhol bla-bla-bla" e que, no final das contas, se resumia a uma lona desgastada, palhaços, truques suspeitos e sempre uma nova atração por noite? Pois bem, seria mais ou menos isso. E só pra constar, no meu caso era o "lendário" Circo de Mônica com sua entrada de 50 centavos.
O problema se dá quando Benjamim começa a questionar o sentido de suas escolhas e de seu papel no mundo. "Okay, eu sou um palhaço e divirto as pessoas, mas quem vai me fazer rir?". Junte um enredo singelo, peculiar e bonito com um elenco inspirado, boas referências a grandes nomes da comédia do passado com uma trilha sonora ímpar, que mescla diversos elementos da cultura circense com belas canções de outras décadas e terá um resultado admirável. Sou um verdadeiro entusiasta quando se trata de boas trilhas!
Em cerca de 1:30h somos apresentados a uma história leve, porém paralelamente intensa, comovente e reflexiva sobre qual papel devemos desempenhar nesse palco chamado mundo. Os mais saudosistas irão se deparar com antigas músicas que incluem Nelson Ned e nomes bem conhecidos como Moacyr Franco, Tonico Pereira e Jackson Antunes interpretando alguns personagens ao longo da trajetória da trupe. Os mais atentos também irão reconhecer outras grandes personalidades, porém prefiro não estragar a surpresa. Selton Mello conseguiu orquestrar uma obra dramática, divertida e esperançosa, compensou toda a expectativa depositada introduzindo na película um ventilador com um valor metafórico muito maior do que a sua própria utilidade. É uma história que merece ser vista e revista, sem ressalvas.
O gato bebe leite, o rato come queijo e você, o que faz?
domingo, 18 de março de 2012
O Homem do Futuro
Postado por
Rafa Cruz
às
07:42
Gênero: Drama/Ficção Científica
Direção: Claudio Torres
Ano: 2011
Viagens temporais, realidades alternativas, conceitos aplicados de física, tudo isso sempre foi muito atrativo na minha predileção por determinados filmes. Quando eu leio "ele decide voltar no tempo pra tentar mudar o fato blá-blá-blá...." em alguma sinopse fico logo animado! É fato que o salto temporal é um recurso muito perigoso pra ser aplicado sem que se perca a lógica e a fluidez da trama ou não sejam desreipeitados os paradoxos da viagem no tempo e da relação tempo-espaço (como muito bem me alertou Bruno Leite, do Olhar Leigo).
Entretanto, no fim das contas o que realmente me importa são as questões como "o que teria acontecido se eu tomasse outro caminho?" ou "em alguma dimensão paralela existe um Rafael Cruz mais rico que o Eike Batista?". Tratando-se o último questionamento de algo fora de cogitação, me prendo ao primeiro.
Nesse panorama, O Homem do Futuro (2011) surge como uma alternativa inovadora no circuito nacional, uma proposta tupiniquim diferente das habituais e com um quê de longa metragem norte-americano. A premissa é até válida, mas ele peca em uma série de situações.
Direção: Claudio Torres
Ano: 2011
Viagens temporais, realidades alternativas, conceitos aplicados de física, tudo isso sempre foi muito atrativo na minha predileção por determinados filmes. Quando eu leio "ele decide voltar no tempo pra tentar mudar o fato blá-blá-blá...." em alguma sinopse fico logo animado! É fato que o salto temporal é um recurso muito perigoso pra ser aplicado sem que se perca a lógica e a fluidez da trama ou não sejam desreipeitados os paradoxos da viagem no tempo e da relação tempo-espaço (como muito bem me alertou Bruno Leite, do Olhar Leigo).
Entretanto, no fim das contas o que realmente me importa são as questões como "o que teria acontecido se eu tomasse outro caminho?" ou "em alguma dimensão paralela existe um Rafael Cruz mais rico que o Eike Batista?". Tratando-se o último questionamento de algo fora de cogitação, me prendo ao primeiro.
Nesse panorama, O Homem do Futuro (2011) surge como uma alternativa inovadora no circuito nacional, uma proposta tupiniquim diferente das habituais e com um quê de longa metragem norte-americano. A premissa é até válida, mas ele peca em uma série de situações.
terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
Gênero: Drama/Comédia
Direção: Jonathan Levine
Ano: 2011
É impossível, e digo isso com muita convicção, não criar um paralelo entre 50/50 e Uma Semana (2008), e é justamente isso que farei aqui. Claro, sempre há a chance de você não ter assistido uma ou outra e ficar sem o parâmetro de comparação, então recomendo de cara que trate de fazer isso, mas adianto que o fato de não ter visto Uma Semana não atrapalhará sua compreensão do que será dito, acredite. Ambas são embaladas por boas músicas e narram as histórias de um protagonista enfrentando uma doença séria, mas o modo como cada um lida com a situação é o que torna tudo diferente.
Em 50% (título nacional) encontramos Adam (Joseph Gordon-Levitt), um jovem de 27 anos, que descobre ser portador de um tumor na região da coluna. Adam não bebe, não fuma e procura manter hábitos de vida saudáveis, o que torna seu problema de difícil compreensão. Não digo aqui que manter uma ótima qualidade de vida não é importante, longe disso mesmo, pois é MUITO IMPORTANTE, mas é interessante notar como algumas coisas independem de nossas decisões. No seu círculo de convivência há espaço pra um relacionamento aparentemente desgastado com Rachael (Bryce Dallas Howard), a cumplicidade descontraída e bem humorada de Kyle (Seth Rogen), uma mãe super protetora (Anjelica Huston), um pai com Alzheimer e uma analista (Anna Kendrick) com a qual tem suas sessões.É interessante notar como a doença do protagonista afeta diferentemente todos à sua volta. Rachael não sabe lidar com a mudança, Kyle tenta mostrar sempre o lado positivo, sua mãe faz o que qualquer mãe preocupada faria, enquanto seu pai parece alheio à realidade.
Adam encara o tratamento, fica triste, com raiva, disperso em toda essa miscelânia de sensações, mas tenta levar tudo com bom humor, na medida do possível. Mas que fique claro, encarar a vida de um modo cômico não é ignorar o que há de errado e esse é um ponto positivo do filme. Nunca fui muito fã do Seth Rogen, mas aqui ele consegue ser um amigo leal e engraçado, sem ser caricato, sabe? Sem deboche, sem exageros, ele é responsável por momentos que ganharam meu riso mais sincero. Usar pontualmente da comédia deixou o filme mais leve, sem perder a seriedade da temática envolvida. A Anna Kendrick foi muito feliz na interpretação de uma analista que, sinceramente, parecia mais perdida do que o seu próprio paciente, gosto dela desde Amor sem Escalas (2009). E nem vou falar muito do Joseph Gordon, pois o cara já dispensa comentários, é simplesmente um dos grandes nomes da nova geração.
Me emocionei próximo ao final, não vou negar. É o tipo de filme que, em um cinema, te faz chorar sem que você perceba. E se fosse você, será que seu círculo de convivência daria o suporte necessário pra encarar essa barra? Será que há como enfrentar tudo sem perder a esperança? Isso fica ainda mais evidente quando você descobre que a trama é baseada em uma história real. Em Uma Semana Ben Tyler resolver montar em sua motocicleta e sair desbravando as belas paisagens do Canadá. Em 50/50 Adam fica e luta contra tudo, por mais difícil que seja. Quem está certo?
Não ouso responder.
P.s. 1: Nem vou gastar tempo explicando a ausência de postagens, é desnecessário e, de fato, ainda não bolei uma boa desculpa.
P.s. 2: Embora muitos provavelmente apontem pra uma determinada cena no hospital, o que mais me chamou a atenção foi uma em que aparece um livro. Dizer mais do que isso seria entregar demais.
P.s. 3: Tô esperando o Victor Akyo me convidar pra jogar MGS4 no dele!
Direção: Jonathan Levine
Ano: 2011
É impossível, e digo isso com muita convicção, não criar um paralelo entre 50/50 e Uma Semana (2008), e é justamente isso que farei aqui. Claro, sempre há a chance de você não ter assistido uma ou outra e ficar sem o parâmetro de comparação, então recomendo de cara que trate de fazer isso, mas adianto que o fato de não ter visto Uma Semana não atrapalhará sua compreensão do que será dito, acredite. Ambas são embaladas por boas músicas e narram as histórias de um protagonista enfrentando uma doença séria, mas o modo como cada um lida com a situação é o que torna tudo diferente.
Em 50% (título nacional) encontramos Adam (Joseph Gordon-Levitt), um jovem de 27 anos, que descobre ser portador de um tumor na região da coluna. Adam não bebe, não fuma e procura manter hábitos de vida saudáveis, o que torna seu problema de difícil compreensão. Não digo aqui que manter uma ótima qualidade de vida não é importante, longe disso mesmo, pois é MUITO IMPORTANTE, mas é interessante notar como algumas coisas independem de nossas decisões. No seu círculo de convivência há espaço pra um relacionamento aparentemente desgastado com Rachael (Bryce Dallas Howard), a cumplicidade descontraída e bem humorada de Kyle (Seth Rogen), uma mãe super protetora (Anjelica Huston), um pai com Alzheimer e uma analista (Anna Kendrick) com a qual tem suas sessões.É interessante notar como a doença do protagonista afeta diferentemente todos à sua volta. Rachael não sabe lidar com a mudança, Kyle tenta mostrar sempre o lado positivo, sua mãe faz o que qualquer mãe preocupada faria, enquanto seu pai parece alheio à realidade.

Adam encara o tratamento, fica triste, com raiva, disperso em toda essa miscelânia de sensações, mas tenta levar tudo com bom humor, na medida do possível. Mas que fique claro, encarar a vida de um modo cômico não é ignorar o que há de errado e esse é um ponto positivo do filme. Nunca fui muito fã do Seth Rogen, mas aqui ele consegue ser um amigo leal e engraçado, sem ser caricato, sabe? Sem deboche, sem exageros, ele é responsável por momentos que ganharam meu riso mais sincero. Usar pontualmente da comédia deixou o filme mais leve, sem perder a seriedade da temática envolvida. A Anna Kendrick foi muito feliz na interpretação de uma analista que, sinceramente, parecia mais perdida do que o seu próprio paciente, gosto dela desde Amor sem Escalas (2009). E nem vou falar muito do Joseph Gordon, pois o cara já dispensa comentários, é simplesmente um dos grandes nomes da nova geração.
Me emocionei próximo ao final, não vou negar. É o tipo de filme que, em um cinema, te faz chorar sem que você perceba. E se fosse você, será que seu círculo de convivência daria o suporte necessário pra encarar essa barra? Será que há como enfrentar tudo sem perder a esperança? Isso fica ainda mais evidente quando você descobre que a trama é baseada em uma história real. Em Uma Semana Ben Tyler resolver montar em sua motocicleta e sair desbravando as belas paisagens do Canadá. Em 50/50 Adam fica e luta contra tudo, por mais difícil que seja. Quem está certo?
Não ouso responder.
P.s. 1: Nem vou gastar tempo explicando a ausência de postagens, é desnecessário e, de fato, ainda não bolei uma boa desculpa.
P.s. 2: Embora muitos provavelmente apontem pra uma determinada cena no hospital, o que mais me chamou a atenção foi uma em que aparece um livro. Dizer mais do que isso seria entregar demais.
P.s. 3: Tô esperando o Victor Akyo me convidar pra jogar MGS4 no dele!
segunda-feira, 26 de dezembro de 2011
12 Homens e Uma Sentença
Postado por
Rafa Cruz
às
19:04
Gênero: Drama/Policial
Direção: William Friedkin
Ano: 1997
Na última semana entrei em uma onda eufórica com o lançamento na internet dos trailers de filmes com potencial épico e que serão lançados em 2012. Temos desde o encerramento da trilogia do Morcegão comandada pelo Chris Nolan (The Dark Knight Rises) até a primeira parte da adaptação de mais uma das excelentes obras de Tolkien (O Hobbit). Particularmente o ano que está próximo do fim não me empolgou muito com relação ao mundo cinematográfico, de modo que minha única esperança foi depositar minhas fichas no que o próximo ano tem para oferecer. Entretanto, de modo despretensioso, zapeando pelos canais, encontrei no Telecine Cult o que posso considerar, sem medo de falso testemunho, como o melhor filme sobre um julgamento que já tive o prazer de assistir, figurando fácil na lista de favoritos de todas as épocas! É um lançamento de 2011? De modo algum, mas fez o enorme favor de encerrar o ano com uma obra de tamanha magnitude, que me fez renovar a crença no poder que o cinema tem de transmitir uma mensagem através de um modo tão claro e intenso.
Doze homens são convocados para compor um juri e são confinados em uma sala para chegarem a um veredito, que deve ser unânime,sobre o julgamento de um rapaz acusado de assassinar seu próprio pai . Onze estão convictos de que o jovem é indubitavelmente culpado, porém um deles sucita no grupo a necessidade de um olhar mais apurado da situação devido à importância do ato, desencadeando uma verdadeira cascata de reações, das mais comuns até as realmente inesperadas.
Assim começa o filme, que se vale basicamente de um cenário pra nos mostrar como o ser humano se comporta diante da responsabilidade de ter uma vida nas próprias mãos. Enquanto alguns reagem com descaso, existem também aqueles que enxergam tudo sob uma perspectiva mais ampla, fazendo com que onze contra um não seja uma situação tão desfavorável quanto aparenta.
Doze personagens nos dão a possibilidade de analisar os mais diversos perfis de pessoas, seja o trabalhador comum norte-americano, o publicitário volúvel ou o cara que só quer mesmo sair dali pra assistir um jogo de beisebol.
O homem que inicia o debate, interpretado brilhantemente pelo ator Jack Lemmon, apenas iniciou o processo de reflexão levando em conta a ideia básica de que ninguém é culpado, até que se prove o contrário, não o inverso disso. Cada personagem carrega consigo uma bagagem emocional, fruto do ambiente em que foi criado, de crises familiares ou ideologias políticas, que refletem incidentalmente sobre suas opiniões expressadas na mesa de reunião.
A síntese do filme é voltada pra importância de desenvolver o pensamento crítico diante de todos os fatos que nos rodeiam. Me permito aqui parafrasear um personagem de A Origem (2010), quando este diz que "uma ideia é como um vírus. Resistente e altamente contagioso. A menor semente de uma ideia pode crescer para definir ou destruir você". Uma coisa interessante dos filmes é que alguns, embora aparentemente bem distintos, possuem ideias complementares, por isso amo o cinema. É exatamente isso, uma ideia, devaneio, delírio, por mais breve que seja, pode acabar em resultados significativos.
Não tenho medo de errar aqui, 12 Homens e Uma Sentença é um filme obrigatório pra todas as mentes que prezam pela importância da análise e do desenvolvimento do pensamento crítico e racional. Sem mais, meretíssimo.
P.S.: Aos que se interessarem, como foi o meu caso, a produção é um remake de uma obra de mesmo nome lançada em 1957. Pretendo conferir esta logo.
P.S.2: Ganhei um, mas no dia seguinte ele "misteriosamente" ficou sem funcionar. O que vem fácil vai fácil.
P.S.3: Um próspero ano novo para todos os leitores do Reviews do Rafa. Esses são os sinceros votos do dono dessa bagunça que eu chamo de blog.
Direção: William Friedkin
Ano: 1997
Na última semana entrei em uma onda eufórica com o lançamento na internet dos trailers de filmes com potencial épico e que serão lançados em 2012. Temos desde o encerramento da trilogia do Morcegão comandada pelo Chris Nolan (The Dark Knight Rises) até a primeira parte da adaptação de mais uma das excelentes obras de Tolkien (O Hobbit). Particularmente o ano que está próximo do fim não me empolgou muito com relação ao mundo cinematográfico, de modo que minha única esperança foi depositar minhas fichas no que o próximo ano tem para oferecer. Entretanto, de modo despretensioso, zapeando pelos canais, encontrei no Telecine Cult o que posso considerar, sem medo de falso testemunho, como o melhor filme sobre um julgamento que já tive o prazer de assistir, figurando fácil na lista de favoritos de todas as épocas! É um lançamento de 2011? De modo algum, mas fez o enorme favor de encerrar o ano com uma obra de tamanha magnitude, que me fez renovar a crença no poder que o cinema tem de transmitir uma mensagem através de um modo tão claro e intenso.
Doze homens são convocados para compor um juri e são confinados em uma sala para chegarem a um veredito, que deve ser unânime,sobre o julgamento de um rapaz acusado de assassinar seu próprio pai . Onze estão convictos de que o jovem é indubitavelmente culpado, porém um deles sucita no grupo a necessidade de um olhar mais apurado da situação devido à importância do ato, desencadeando uma verdadeira cascata de reações, das mais comuns até as realmente inesperadas.
Assim começa o filme, que se vale basicamente de um cenário pra nos mostrar como o ser humano se comporta diante da responsabilidade de ter uma vida nas próprias mãos. Enquanto alguns reagem com descaso, existem também aqueles que enxergam tudo sob uma perspectiva mais ampla, fazendo com que onze contra um não seja uma situação tão desfavorável quanto aparenta.
Doze personagens nos dão a possibilidade de analisar os mais diversos perfis de pessoas, seja o trabalhador comum norte-americano, o publicitário volúvel ou o cara que só quer mesmo sair dali pra assistir um jogo de beisebol.
O homem que inicia o debate, interpretado brilhantemente pelo ator Jack Lemmon, apenas iniciou o processo de reflexão levando em conta a ideia básica de que ninguém é culpado, até que se prove o contrário, não o inverso disso. Cada personagem carrega consigo uma bagagem emocional, fruto do ambiente em que foi criado, de crises familiares ou ideologias políticas, que refletem incidentalmente sobre suas opiniões expressadas na mesa de reunião.
A síntese do filme é voltada pra importância de desenvolver o pensamento crítico diante de todos os fatos que nos rodeiam. Me permito aqui parafrasear um personagem de A Origem (2010), quando este diz que "uma ideia é como um vírus. Resistente e altamente contagioso. A menor semente de uma ideia pode crescer para definir ou destruir você". Uma coisa interessante dos filmes é que alguns, embora aparentemente bem distintos, possuem ideias complementares, por isso amo o cinema. É exatamente isso, uma ideia, devaneio, delírio, por mais breve que seja, pode acabar em resultados significativos.
Não tenho medo de errar aqui, 12 Homens e Uma Sentença é um filme obrigatório pra todas as mentes que prezam pela importância da análise e do desenvolvimento do pensamento crítico e racional. Sem mais, meretíssimo.
P.S.: Aos que se interessarem, como foi o meu caso, a produção é um remake de uma obra de mesmo nome lançada em 1957. Pretendo conferir esta logo.
P.S.2: Ganhei um, mas no dia seguinte ele "misteriosamente" ficou sem funcionar. O que vem fácil vai fácil.
P.S.3: Um próspero ano novo para todos os leitores do Reviews do Rafa. Esses são os sinceros votos do dono dessa bagunça que eu chamo de blog.
quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
Conta comigo
Postado por
Rafa Cruz
às
18:47
Gênero: Aventura/Drama
Direção: Rob Reiner
Ano: 1986
Faço parte de uma corrente ideológica defensora da idéia de que muita coisa pode ser explicada através dos filmes. Por exemplo, as produções lançadas em um determinado período histórico refletem a realidade vivida pela população daquela época. Seus conflitos, suas angústias e o modo como a vida é enxergada, tudo isso pode ser retratado nas lentes de uma câmera. Também acredito parcialmente que os filmes preferidos de uma pessoa te dizem muito sobre ela. Algumas obras conseguem reunir as duas coisas: marcar uma década e imprimir o seu conteúdo na formação da mentalidade dos seus espectadores, daí surge a famosa expressão "filmes que formaram meu caráter". Sou fruto dos clássicos da Sessão da Tarde, da overdose de produções natalinas em dezembro e dos filmes escritos por John Hughes (Curtindo a Vida Adoidado, Esqueceram de Mim, Milagre na Rua 34) que, além de propiciar diversão, assistem no processo de modelamento da personalidade humana.
Onde eu quero chegar? Vamos lá. Apesar de não fazer parte da minha realidade na infância, Conta Comigo certamente se enquadra nessa categoria de filmes que marcaram a existência de muita gente. Lançado em 86 com o título original "Stand by me", o roteiro é adaptado de uma obra do escritor Stephen King, que apesar de ser famoso como o mestre do suspense, presenteou a humanidade com pérolas voltadas ao drama como Um Sonho de Liberdade (1994) e À Espera de Um Milagre (2000).
Acompanhamos a história de 4 garotos: Gordie, Chris, Teddy e Vern. A trama se passa em 1959, quando um dos garotos descobre acidentalmente onde está o corpo de um menino desaparecido há três dias e cuja busca mobilizou toda a comunidade da pequena cidade. Pela sensação de aventura, oportunidade de ganhar 15 minutos de fama ou outro objetivo qualquer, os amigos decidem partir em uma jornada para encontrar o corpo do tal desaparecido e ganhar os créditos pela conquista perante à sociedade.
Entretanto, mais do que uma simples viagem, a trajetória dos 4 garotos é uma verdadeira análise do comportamento humano, da relação entre a índole e o meio em que se vive e o modo como a infância exerce influência direta sobre o caminho tomado por cada indivíduo na vida adulta, sendo a viagem literal, de certo modo, uma metáfora da jornada de crescimento pessoal. Gordie é ignorado pelos pais depois da trágica morte do seu irmão mais velho, o qual recebia toda a atenção da família. Chris é um garoto inteligente, mas sofre por viver em um ambiente familiar conturbado e por receber o estereótipo de alguém sem futuro promissor. Teddy é mentalmente instável e Vern se mostra como o mais infantil dos quatro.
A debatida discussão das teorias possibilista X determinista é colocada em foco e vemos até que ponto cada um é responsável por seu destino. O amadurecimento é um processo individual e cada qual reage de um modo diante das mesmas circunstâncias. Porém, mais do que tudo, é um filme sobre amizade.Amizade genuína mesma, daquele tipo vista apenas na infância e que nós vamos fragmentando aos poucos no processo de envelhecimento.
A produção termina ao som de Standy By Me e você se sente satisfeito por ter visto uma obra tão profunda, tocante e que, certamente deixará ao menos alguma boa lição na sua vida. Não vivi a década de 80, mas sei que os habitantes dessa longínqua era estavam bem servidos de excelente material cinematográfico.
Direção: Rob Reiner
Ano: 1986
Faço parte de uma corrente ideológica defensora da idéia de que muita coisa pode ser explicada através dos filmes. Por exemplo, as produções lançadas em um determinado período histórico refletem a realidade vivida pela população daquela época. Seus conflitos, suas angústias e o modo como a vida é enxergada, tudo isso pode ser retratado nas lentes de uma câmera. Também acredito parcialmente que os filmes preferidos de uma pessoa te dizem muito sobre ela. Algumas obras conseguem reunir as duas coisas: marcar uma década e imprimir o seu conteúdo na formação da mentalidade dos seus espectadores, daí surge a famosa expressão "filmes que formaram meu caráter". Sou fruto dos clássicos da Sessão da Tarde, da overdose de produções natalinas em dezembro e dos filmes escritos por John Hughes (Curtindo a Vida Adoidado, Esqueceram de Mim, Milagre na Rua 34) que, além de propiciar diversão, assistem no processo de modelamento da personalidade humana.
Onde eu quero chegar? Vamos lá. Apesar de não fazer parte da minha realidade na infância, Conta Comigo certamente se enquadra nessa categoria de filmes que marcaram a existência de muita gente. Lançado em 86 com o título original "Stand by me", o roteiro é adaptado de uma obra do escritor Stephen King, que apesar de ser famoso como o mestre do suspense, presenteou a humanidade com pérolas voltadas ao drama como Um Sonho de Liberdade (1994) e À Espera de Um Milagre (2000).
Acompanhamos a história de 4 garotos: Gordie, Chris, Teddy e Vern. A trama se passa em 1959, quando um dos garotos descobre acidentalmente onde está o corpo de um menino desaparecido há três dias e cuja busca mobilizou toda a comunidade da pequena cidade. Pela sensação de aventura, oportunidade de ganhar 15 minutos de fama ou outro objetivo qualquer, os amigos decidem partir em uma jornada para encontrar o corpo do tal desaparecido e ganhar os créditos pela conquista perante à sociedade.
Entretanto, mais do que uma simples viagem, a trajetória dos 4 garotos é uma verdadeira análise do comportamento humano, da relação entre a índole e o meio em que se vive e o modo como a infância exerce influência direta sobre o caminho tomado por cada indivíduo na vida adulta, sendo a viagem literal, de certo modo, uma metáfora da jornada de crescimento pessoal. Gordie é ignorado pelos pais depois da trágica morte do seu irmão mais velho, o qual recebia toda a atenção da família. Chris é um garoto inteligente, mas sofre por viver em um ambiente familiar conturbado e por receber o estereótipo de alguém sem futuro promissor. Teddy é mentalmente instável e Vern se mostra como o mais infantil dos quatro.
A debatida discussão das teorias possibilista X determinista é colocada em foco e vemos até que ponto cada um é responsável por seu destino. O amadurecimento é um processo individual e cada qual reage de um modo diante das mesmas circunstâncias. Porém, mais do que tudo, é um filme sobre amizade.Amizade genuína mesma, daquele tipo vista apenas na infância e que nós vamos fragmentando aos poucos no processo de envelhecimento.
A produção termina ao som de Standy By Me e você se sente satisfeito por ter visto uma obra tão profunda, tocante e que, certamente deixará ao menos alguma boa lição na sua vida. Não vivi a década de 80, mas sei que os habitantes dessa longínqua era estavam bem servidos de excelente material cinematográfico.
domingo, 16 de outubro de 2011
Meia-Noite em Paris
Postado por
Rafa Cruz
às
07:15
Gênero: Romance/Drama/Comédia
Direção: Woody Allen
Ano: 2011
Meia-Noite em Paris narra a história de Gil (Owen Wilson), um nostálgico roteirista de Hoolywood, que acompanha sua noiva (Rachel McAdams) e os pais desta (Kurt Fuller e Mimi Kennedy) em uma viagem a Paris. Apesar de ser financeiramente bem sucedido, Gil nutre um antigo desejo de se tornar um escritor, utilizando como referência grandes nomes da literatura norte-americana. Com um relacionamento desgastado, problemas com os sogros e insatisfação com o rumo que sua vida o conduz, o protagonista se depara na "Cidade Luz" com algo surpreendente que pode fornecer um novo norte para sua existência e o fazer refletir sobre suas escolhas.
O filme é uma verdadeira overdose de referências que vão desde o sedutor escritor norte-americano Ernest Hemingway, ao instável pintor Salvador Dali. Utilizar Paris como plano de fundo para as ações que se seguem é de uma covardia infinda. A cidade exala beleza, encanto e um charme característico, o que faz com que conhecer esta encabece a lista das minhas futuras pretensões. A trama é, na realidade, uma prazerosa viagem pelos recantos do pensamento humano mesclado com belos cenários, uma trilha sonora que casa perfeitamente (principalmente pelo jazz, claro), elenco competente repleto de estrelas como Adrien Brody e Khaty Bates, tudo bem ritmado e apresentado de um modo delicioso.
Tenho que admitir minha ignorância em não reconhecer a obra e, muito menos, a biografia de boa parte das personalidades citadas, mas o filme serviu para despertar em mim essa curiosidade e é pra isso que existe a Wikipédia, oras! Melhor ainda, ao abordar a insatisfação humana diante da sua existência e o antigo ditado de que "a grama do vizinho(o que neste caso seria voltado para um retrospecto cronológico) é sempre mais verde", Meia-Noite em Paris acerta em cheio e oferece ao telespectador diversão de um modo inteligente.
Por fim, se for assistir, apenas deixe-se conduzir pelas boulevards parisienses e aprecie o caminho.
Obs.: Se alguém, por ver a classificação do gênero no começo deste texto, esperar por uma típica comédia romântica água-com-açucar como tantas outras que existem, esqueça! Não é isso que você encontrará aqui, tenha certeza. Fica o aviso.
Direção: Woody Allen
Ano: 2011

O filme é uma verdadeira overdose de referências que vão desde o sedutor escritor norte-americano Ernest Hemingway, ao instável pintor Salvador Dali. Utilizar Paris como plano de fundo para as ações que se seguem é de uma covardia infinda. A cidade exala beleza, encanto e um charme característico, o que faz com que conhecer esta encabece a lista das minhas futuras pretensões. A trama é, na realidade, uma prazerosa viagem pelos recantos do pensamento humano mesclado com belos cenários, uma trilha sonora que casa perfeitamente (principalmente pelo jazz, claro), elenco competente repleto de estrelas como Adrien Brody e Khaty Bates, tudo bem ritmado e apresentado de um modo delicioso.
Tenho que admitir minha ignorância em não reconhecer a obra e, muito menos, a biografia de boa parte das personalidades citadas, mas o filme serviu para despertar em mim essa curiosidade e é pra isso que existe a Wikipédia, oras! Melhor ainda, ao abordar a insatisfação humana diante da sua existência e o antigo ditado de que "a grama do vizinho(o que neste caso seria voltado para um retrospecto cronológico) é sempre mais verde", Meia-Noite em Paris acerta em cheio e oferece ao telespectador diversão de um modo inteligente.
Por fim, se for assistir, apenas deixe-se conduzir pelas boulevards parisienses e aprecie o caminho.
Obs.: Se alguém, por ver a classificação do gênero no começo deste texto, esperar por uma típica comédia romântica água-com-açucar como tantas outras que existem, esqueça! Não é isso que você encontrará aqui, tenha certeza. Fica o aviso.
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
Não Me Abandone Jamais
Postado por
Rafa Cruz
às
18:12
Gênero: Drama/Ficção
Direção: Mark Romanek
Ano: 2011
Não me abandone jamais foi uma das três indicações feitas por uma amiga de conversas longas, desconexas e esporádicas, porém interessantes. Indicações anteriores haviam obtido certo êxito, logo apostei minhas fichas na repetição do resultado. A conclusão não poderia ser diferente: uma produção ímpar, peculiar e estranha, assim como a pessoa que recomendou. E se você estiver lendo isso, SIM, você é estranha =D
Ainda criança, Khaty é uma garota que vive em uma escola particular na Inglaterra, sempre ao lado de seus amigos, Ruth e Tommy, na qual os alunos não tem contato com o mundo exterior e eram educados com o pensamento de que formavam um grupo de pessoas especiais, com um desígnio importante para o mundo. Após alguns anos, agora jovens, Kathy (Carey Mulligan), Ruth (Keira Knightley) e Tommy (Andrew Garfield) se reencontram em uma perspectiva totalmente diferente do futuro, no qual a nostalgia do passado paira e o conformismo em relação ao destino se mostra como uma cruel ferramente na vida destes indivíduos.
A depressão chegou, sentou na poltrona, pediu pipoca e não foi mais embora! Falar que é triste seria chover no molhado. Trilha sonora melancólica, atmosfera fria, semblantes que exalam a falta de perspectiva e olhos que te levam pra o fundo do buraco. [SPOILER] Sinceramente, mesmo se tratanto de uma ficção, é difícil imaginar uma sociedade em que pessoas seriam criadas apenas para intuitos tão obscuros. O mais absurdo de tudo é o modo como a situação é encarada com normalidade e de um jeito tranquilo tanto pelos participantes, como por aqueles responsáveis pelo serviço. É um filme, eu sei, mas não consegui digerir uma ideia tão absurda, não vejo futuro pra uma humanidade com essa linha de raciocínio.[/SPOILER]
No mais, uma Keira Knightley intepretando a jovem Ruth, irreconhecível, de um modo extremamente positivo e uma ressalva pra essa tradução do título original (Never Let Me Go), sem querer ser muito chato (se é que isso se torna possível):
Never let me go = Nunca deixe-me ir
O que, olhando rapidamente, seria quase um sinônimo de "Não Me Abandone Jamais", porém vejo uma grande diferença entre "pedir que ALGUÉM não me abandone" e "pedir pra que ela não deixe que EU vá", neste caso EU seria o sujeito que tomaria a iniciativa da partida. É um conceito até besta, mas eu acho que casa com as circunstâncias apresentadas na produção. Alguém mais concorda?
Os questionamentos acerca da tomada de decisões por parte dos personagens sobre como reagir em determinadas circunstâncias, sem dúvidas, impulsionam discussões interessantes acerca do comportamento humano, certamente um prato cheio para os psicólogos behavioristas.
E os bons filmes fazem isso, sucitam debates. Longe de ser um dos meus favoritos, visto que não sou o maior fã de dramas, a produção cumpre bem o seu papel de despertar o telespectador para um atitude reflexiva em vários aspectos da essência humana. Afinal, quanto tempo nós temos?
Direção: Mark Romanek
Ano: 2011
Não me abandone jamais foi uma das três indicações feitas por uma amiga de conversas longas, desconexas e esporádicas, porém interessantes. Indicações anteriores haviam obtido certo êxito, logo apostei minhas fichas na repetição do resultado. A conclusão não poderia ser diferente: uma produção ímpar, peculiar e estranha, assim como a pessoa que recomendou. E se você estiver lendo isso, SIM, você é estranha =D
Ainda criança, Khaty é uma garota que vive em uma escola particular na Inglaterra, sempre ao lado de seus amigos, Ruth e Tommy, na qual os alunos não tem contato com o mundo exterior e eram educados com o pensamento de que formavam um grupo de pessoas especiais, com um desígnio importante para o mundo. Após alguns anos, agora jovens, Kathy (Carey Mulligan), Ruth (Keira Knightley) e Tommy (Andrew Garfield) se reencontram em uma perspectiva totalmente diferente do futuro, no qual a nostalgia do passado paira e o conformismo em relação ao destino se mostra como uma cruel ferramente na vida destes indivíduos.
A depressão chegou, sentou na poltrona, pediu pipoca e não foi mais embora! Falar que é triste seria chover no molhado. Trilha sonora melancólica, atmosfera fria, semblantes que exalam a falta de perspectiva e olhos que te levam pra o fundo do buraco. [SPOILER] Sinceramente, mesmo se tratanto de uma ficção, é difícil imaginar uma sociedade em que pessoas seriam criadas apenas para intuitos tão obscuros. O mais absurdo de tudo é o modo como a situação é encarada com normalidade e de um jeito tranquilo tanto pelos participantes, como por aqueles responsáveis pelo serviço. É um filme, eu sei, mas não consegui digerir uma ideia tão absurda, não vejo futuro pra uma humanidade com essa linha de raciocínio.[/SPOILER]
No mais, uma Keira Knightley intepretando a jovem Ruth, irreconhecível, de um modo extremamente positivo e uma ressalva pra essa tradução do título original (Never Let Me Go), sem querer ser muito chato (se é que isso se torna possível):
Never let me go = Nunca deixe-me ir
O que, olhando rapidamente, seria quase um sinônimo de "Não Me Abandone Jamais", porém vejo uma grande diferença entre "pedir que ALGUÉM não me abandone" e "pedir pra que ela não deixe que EU vá", neste caso EU seria o sujeito que tomaria a iniciativa da partida. É um conceito até besta, mas eu acho que casa com as circunstâncias apresentadas na produção. Alguém mais concorda?
Os questionamentos acerca da tomada de decisões por parte dos personagens sobre como reagir em determinadas circunstâncias, sem dúvidas, impulsionam discussões interessantes acerca do comportamento humano, certamente um prato cheio para os psicólogos behavioristas.
E os bons filmes fazem isso, sucitam debates. Longe de ser um dos meus favoritos, visto que não sou o maior fã de dramas, a produção cumpre bem o seu papel de despertar o telespectador para um atitude reflexiva em vários aspectos da essência humana. Afinal, quanto tempo nós temos?
sábado, 30 de julho de 2011
Rascunhos [10] {Edição Especial}
Postado por
Rafa Cruz
às
18:30
Chegamos na edição 10 dessa que é a única uma das poucas ideias de séries que eu consegui manter. Aguardem novidades em breve, isso tem tudo pra mudar por aqui.
As pessoas, de um modo geral, tem uma certa fixação quando algo chega na décima, centésima vez ou algum outro número terminado em 0, como se isso obrigasse a realização de algo especial. "Só se completa 50 anos uma vez na vida", dizem. Eu digo que da mesma forma ocorre com 51, 52 ou 53! Divaguei demais, né? Então vou atender ao clamor mundial e comentar sobre 10 FILMES! Não se acostumem com isso, será um fato isolado (já estou até arrependido disso).
Nessa edição temos:
Esquadrão Classe A (2010)
Ação/Aventura

Se você quer ação desenfreada, mas com ótimas pitadas de humor, Esquadrão Classe A é a pedida certa. Com um elenco carismático, o filme nos leva a um grupo de militares com personalidades bem distintas, composto por Hannibal (Liam Neeson, de Desconhecido) B.A. Baracus (Quinto Jackson), Cara de Pau (Bradley Cooper, de Se Beber, Não Case) e Murdock (Sharlto Copley, do ótimo Distrito 9), que caem em uma cilada e vivem uma série de situações absurdas ( destaque pra cena do tanque de guerra) em busca de provas que inocentem o bando. Uma ótima indicação pra reunir a galera de noite, com aquele balde de pipoca e diversão garantida.
Não dá pra desvincular esse filmes da imagem do Heath Ledger, afinal foi sua última, e incompleta, produção, visto que ele faleceu antes do fim das filmagens. Se você realmente escolher entrar na mente do Doutor Parnassus, é bom que esteja pronto pra uma viagem pelo surreal do modo que apenas o diretor Terry Gilliam é capaz de conduzir, algo bem semelhante ao que vi em As Aventuras do Barão de Munchausen (1988), também assinado pelo diretor. A história segue a luta do Doutor Parnassus e sua trupe itinerante de teatro. Há muitos anos o Doutor fez um acordo com o diabo, que lhe concedeu a imortalidade, porém a um alto preço: a alma de Valentine (Lily Cole), sua filha, quando a moça completar 16 anos. O personagem interpretado pelo Ledger surge de modo misterioso na trama e pode ser a chave para a conclusão da história. Definitivamente não é um filme indicado para todos, mas se você for fã de fantasia na sua forma mais psicodélica, pode gostar. É legal também ver o modo como driblaram a ausência do Heath e conseguiram terminar tudo de modo digno. Destaque pra pequena participação do Johnny Deep, não consigo mais olhar pra ele e não enxergar o Capitão Sparrow!
Se mostrando uma animação divertida e inteligente, Megamente conseguiu me fazer rever os conceitos com relação ao trabalhos da Dreamworks. Entretanto sou obrigado a deixar algo bem claro: divertido não é sinônimo de engraçado {ao menos na minha concepção}, e talvez essa tenha sido a principal falha dessa produção. Megamente é um vilão que conseguiu, finalmente, cumprir sua principal missão, que é derrotar o seu principal oponente, o herói Metro Man. Porém, depois de tal façanha, o vilanesco personagem se vê numa vida sem perspectiva e interesse, até que bola um plano para a formação de um novo herói, alguém que dê novamente sentido pra sua existência. Qualquer referência ao Superman NÃO é mera coincidência, desse modo a animação conseguiu construir um argumento interessante mesclando referências à cultura dos quadrinhos com uma trilha sonora composta por clássicos do rock, como Welcome to Jungle, do Gun's Roses. Mas é isso que já comentei anteriormente, como ação/aventura é ótimo, mas senti falta de dar algumas boas risadas enquanto assistia.
As pessoas, de um modo geral, tem uma certa fixação quando algo chega na décima, centésima vez ou algum outro número terminado em 0, como se isso obrigasse a realização de algo especial. "Só se completa 50 anos uma vez na vida", dizem. Eu digo que da mesma forma ocorre com 51, 52 ou 53! Divaguei demais, né? Então vou atender ao clamor mundial e comentar sobre 10 FILMES! Não se acostumem com isso, será um fato isolado (já estou até arrependido disso).
Nessa edição temos:
- Esquadrão Classe A (2010)
- O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus (2010)
- Megamente (2010)
- Contra o Tempo (2011)
- Sucker Punch - Mundo Surreal (2011)
- Camisa de Força (2005)
- A Lenda do Pianista do Mar (1998)
- Par Perfeito (2010)
- Pequena Miss Sunshine (2006)
- Paranóia (2007)
Esquadrão Classe A (2010)
Ação/Aventura

O Mundo Imaginário do Doutor Parnassus (2010)
Aventura/ Fantasia
Aventura/ Fantasia
Megamente (2010)
Animação/Ação
Animação/Ação
domingo, 24 de julho de 2011
Vigaristas
Postado por
Rafa Cruz
às
10:35

Gênero: Aventura/Drama
Direção: Rian Johnson
Ano: 2009
Totalizando 880 filmes na minha lista do Filmow, vejo o sonho de finalizar o ano somando mil títulos se tornar cada vez mais distante. Porém uma coisa que se aprende com o tempo é que qualidade tem um peso superior ao da quantidade. Por isso quando sou surpreendido com um bela e envolvente produção como Vigaristas meus lábios esboçam aquele sorriso bobo que uma história desse naipe produz ao seu término.
Acompanhamos os irmãos Stephen e Bloom (vividos respectivamente por Mark Ruffalo e Adrien Broody), dois vigaristas desde a infância, que passam a vida aplicando diversos golpes e ganhando fama no ramo. Entretanto Bloom enfrenta uma crise de identidade e resolve abandonar o trabalho atual. É quando Stephen lhe propõe um último serviço: aplicar um golpe em uma excêntrica e solitária milionária chamada Penelope (Rachel Weisz)
Penelope (Weisz) e Bloom ( Broody)
Vigaristas se mostra como uma inteligente e emocionante forma de entretenimento, daquelas que você encontra ao acaso na tv e se sente gratificado após o fim. Como diria o Stephen, "o melhor golpe é aquele em que todos conseguem o que querem".
Eu consegui.
quarta-feira, 22 de junho de 2011
Crônicas Saxônicas - O último reino. Volume 1 [livro]
Postado por
Rafa Cruz
às
10:30
Editora: Record Autor: Bernard Cornwell
Ano: 2006
Páginas: 362
- O destino é tudo. Disse o skald Ravn.
Há poucos anos, após a constatação de que minha carreira como leitor era curta e vergonhosa, decidi mudar o panorama da situação. Desde então já passaram pelas minhas mãos obras fantásticas como As Crônicas de Nárnia (C. S. Lewis), O Silmarillion e O Hobbit (ambos do mestre Tolkien), os cinco volumes da saga Percy Jackson, que por sinal, são fenomenais (Rick Riordan), entre outras.Isso de algum modo me qualifica pra fazer a análise de um livro por aqui? Provavelmente não, mas não poderia deixar de lado a oportunidade de indicar uma série tão legal como essa que eu comecei há pouco tempo. Trata-se do primeiro volume das Crônicas Saxônicas, intitulado O último reino, e escrito pelo britânico Bernard Cornwell, famoso autor de outras obras como a trilogia As crônicas de Artur.
Adquiri o livro através do Submarino, minha fonte preferencial na compra de livros pela internet. Logo de cara tenho a obrigação de elogiar o excelente trabalho gráfico realizado pelo Kako, o ilustrador responsável pela capa do livro. Ela é simplesmente linda e o título em alto relevo deu um charme especial para a obra. A qualidade do material também é ótima e consta com uma nota de tradução e um mapa para ajudar o leitor a situar-se no território onde a trama é desenvolvida (acredito que foi o mapa de livro que eu melhor compreendi, já que em O Silimarillion o autor me deixou mais confuso do que orientado. Okay, é Tolkien, não dá pra criticar o seu detalhismo exacerbado, isso é característico dele).
O nosso protagonista é Uhtred, uma criança pertencente à aristocracia da Nortúmbria, um reino anglo cujo território atual pertence a Grã-Bretranha. A história começa em 866 d. C, com a chegada dos dinamarqueses ao território anglo-saxão. Nessa época Uhtred tinha nove anos e ainda atendia pelo nome de Osbert (a mudança de nome é explicada logo no prólogo do livro). Uma série de eventos faz com que o nosso jovem protagonista seja capturado pelos invasores dando início à uma infância embrenhada nos povos pagãos e regada a muita violência, liberdade e aventuras, em contraste com a criação cristã encontrada na sua antiga residência, na qual era incentivado ao aprendizado da leitura e dos costumes religiosos. Resumindo, tudo que uma criança deseja. Mas o destino é tudo, já dizia Ravn. A vida de Uhtred, desde este momento, está fortemente atrelada a de Alfredo, um nobre do reino de Wessex, localizada ao sul da Nortúmbria.E nessa maré envolvente acompanhamos o amadurecimento de uma pessoa marcada pela dualidade durante toda a sua jornada. Cristão ou pagão. Inglês ou dinamarquês.Não há uma resposta bem definida.
Uma coisa bastante legal na literatura do Bernard Cornwell é o embasamento histórico que ele oferece nos seus livros. Embora Uhtred seja um personagem fictício, uma série de outros personagens realmente existiram e fizeram parte da história inglesa. Por falar nos personagens, tenho que ressaltar a construção impecável da personalidade destes, seja o earl Ragnar, com seu amor pela batalha, o padre Beocca com sua fé inabalável ou o ferreiro Ealdwulf, com o seu apego pelas tradições antigas. Ubba, Ivar, Kjartan, Sven, Brida, por menor que seja a atuação de qualquer indivíduo, ela é permeada por uma bagagem sentimental muito forte.
As intrigas, conspirações políticas, traições, batalhas, todas estão presentes como ingredientes de uma boa história. A ação é frenética, as paredes de escudo são intensas e a vida humana é medida na ponta da espada ou na lâmina de um machado. As Crônicas Saxônicas são bem representadas por uma parte escrita no fundo do livro e que consta também nas suas primeiras páginas:
"Sou Uthred, filho de Uhtred, e esta é a história de uma rixa de sangue. É a história de como tomarei de meu inimigo o que a lei diz que é meu. E é a história de uma mulher e de seu pai, um rei."
Escrever mais do que isso é correr o risco de revelar detalhes importantes, e eu não estou disposto a isso. Só me resta recomendar sinceramente uma das melhores leituras que fiz nos últimos tempos. E lembre-se:
O destino é tudo!
sexta-feira, 22 de abril de 2011
Tropa de Elite 2 - O Inimigo Agora é Outro
Postado por
Rafa Cruz
às
13:48
Gênero: Ação/Drama
Direção: José Padilha
Ano: 2010
Capitão Nascimento é o grande ícone brasileiro, merecia até um feriado em sua homenagem. O fenômeno chamado Tropa de Elite, que deixou em euforia toda uma nação ganha uma continuação digna de sua qualidade primorosa, com menos bordões memoráveis, porém com críticas mais profundas ao sistema que rege nosso país.
Se em Tropa 1 tinhamos o treinamento dos aspiras, a juventude burguesa financiando o tráfico e o Baiano como dono do morro, essa sequência nos apresenta uma realidade muito mais ampla de um dos maiores problemas que enfrentamos: os inúmeros percalços na segurança pública. Após uma série de eventos iniciada em uma rebelião penintenciária, a vida de Nascimento passa por um turbilhão de transformações e ele se vê diante de um desafio muito maior do que qualquer um que já tenha enfrentado, representado pelas milícias e a corrupção enraizada nas entranhas do nosso sistema político.
Wagner Moura mais uma vez se destaca com uma interpretação brilhante do protagonista, um velho Nascimento, divorciado, pai de um jovem, que se vê diante da desilusão de ter acreditado em uma organização moralmente falida. Não preciso nem comentar a incrível direção do José Padilha, corroborando a sua imagem como um profissional de renome internacional, garantido a direção do remake da franquia Robocop. Já o Wagner garantiu um papel de vilão em Elysium, novo filme de Neill Blomkamp (diretor do excelente Distrito 9), que conta com nomes de peso no elenco, como Matt Damon e Jodie Foster.
Sou sincero em confessar que gostei muito mais do primeiro filme da franquia. As citações, os personagens, tudo é mais marcante e me fez querer assistir aquilo várias vezes. Porém isso não diminui a grandiosidade do segundo capítulo, que passa uma mensagem impactante e verdadeira sobre o nosso querido e defeituoso Brasil. IN PADILHA WE TRUST!
Direção: José Padilha
Ano: 2010
Capitão Nascimento é o grande ícone brasileiro, merecia até um feriado em sua homenagem. O fenômeno chamado Tropa de Elite, que deixou em euforia toda uma nação ganha uma continuação digna de sua qualidade primorosa, com menos bordões memoráveis, porém com críticas mais profundas ao sistema que rege nosso país.
Se em Tropa 1 tinhamos o treinamento dos aspiras, a juventude burguesa financiando o tráfico e o Baiano como dono do morro, essa sequência nos apresenta uma realidade muito mais ampla de um dos maiores problemas que enfrentamos: os inúmeros percalços na segurança pública. Após uma série de eventos iniciada em uma rebelião penintenciária, a vida de Nascimento passa por um turbilhão de transformações e ele se vê diante de um desafio muito maior do que qualquer um que já tenha enfrentado, representado pelas milícias e a corrupção enraizada nas entranhas do nosso sistema político.
Wagner Moura mais uma vez se destaca com uma interpretação brilhante do protagonista, um velho Nascimento, divorciado, pai de um jovem, que se vê diante da desilusão de ter acreditado em uma organização moralmente falida. Não preciso nem comentar a incrível direção do José Padilha, corroborando a sua imagem como um profissional de renome internacional, garantido a direção do remake da franquia Robocop. Já o Wagner garantiu um papel de vilão em Elysium, novo filme de Neill Blomkamp (diretor do excelente Distrito 9), que conta com nomes de peso no elenco, como Matt Damon e Jodie Foster.
Sou sincero em confessar que gostei muito mais do primeiro filme da franquia. As citações, os personagens, tudo é mais marcante e me fez querer assistir aquilo várias vezes. Porém isso não diminui a grandiosidade do segundo capítulo, que passa uma mensagem impactante e verdadeira sobre o nosso querido e defeituoso Brasil. IN PADILHA WE TRUST!
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